Experiências com latitude

Prezados:

Resolvi agora, enquanto aguardo algumas coisa que tenho de fazer, realizar algumas experiências visando determinar a real latitude aproveitável da s7000.

Basicamente o que fiz foi apontar a câmera para a calçada em frente à minha casa e fotometrar pontualmente a região que parecia brilhar mais. Deu 1/1000 com o fotômetro centralizado.

Então fiz uma série de fotos nas seguintes velocidades:

1/250 (dois pontos da fotometria da alta-luz)
1/200 (um pouquinho mais de dois pontos
1/160 (dois pontos e meio da fotometria)
1;125 (três pontos da fotometria).
Todas em RAW.

Depois, no Adobe Raw Converter, fui diminuindo a exposure até que não houvesse região estourada.

Em todas elas consegui converter sem que o ARC mostrasse estourado, porém na feita em 1/125 observa-se claramente a perda de detalhes nas altas luzes, mesmo em regiões onde não parece estourado, enqanto na foto em 1/200 se observa um incremento de ruído nas luzes médias-baixas. A foto em 1/160 apresenta uma relação aceitável de perda de detalhes nas altas luzes com limpeza maior nas médias.

Todos os textes foram realizados em f8. Vou repetir depois o teste variando o f para 5.6 e para 3.8, pois em minha opinião a captura mais rápida é menos ruidosa também. Vamos ver se é verdade. Vamos ver, também, se os detalhes aumentam com a maior abertura (até f5.6).

O que estou procurando é o melhor set possível da câmera.

Ivan

Beleza Ivan… uma boa idéia essa de fazer esses teste…

Vou tentar faer esses teste também e ver qual resultado obterei!!! Se você puder postar as fotos pra gente dar uma olhada!!!

Valeu…

Boa iniciativa, Ivan. Confesso que é a parte da minha fotografia (e do equipamento) que eu mais dedico tempo p entender, testar, e aprender, fotometria e latitude, assim que puder vou tentar fazer algo parecido e comento os resultados.

Pois é, Gustavo.

Acho que é preciso isso para termos idéia real do compromisso de cada foto. Do que vi, cheguei à conclusão que entre 2,5 pontos e um pouco menos são os melhores sets. entre dois pontos e dois e meio é há total definição das altas luzes, em dois e meio as altas luzes ficam um pouco prejudicadas, mas ainda são utilizáveis, desde que o desenho da foto esteja em luzes mais baixas.

Ivan, se esses testes fossem feitos com uma 35mm comum, em quanto ficariam os limites para preservação dos detalhes?! Eu quero achar um artigo que um amigo me falou (esqueci o nome do autor, ele defende a teoria que a latitude entre as digitais e as de filme é idêntica). Assim que encontrar te passo, embora eu não concorde com ele, me pareceu interessante ler.

Gustavo, tudo depende do filme usado, os cromos por exemplo chagam a ter até 5 pontos de latitude, o que é uma latitude mínima, do nível das piores compactas.
Existem cromos tbm com 9 pontos de latitude (mais do que a média das DSLR que é de 7 pontos a 8 pontos), ainda existem negativos que chegam a absurdos 13 pontos de latitude (uma S3Pro chega a 10 pontos), isso tudo é muito variável, depende do tipo de filme usado, da composição de grãos, da sensibilidade, normalmente os filmes de ISO próximo a 100 tendem a ter maior latitude, nas digitais as maiores latitudes ocorrem no ponto de ótimo (que nem sempre é no ISO mais baixo), outro fator é que a sensibilidade do filme vai variando conforme o tempo de exposição vai passando e com a sensibilidade a sua latitude tbm varia, nas digitais tal processo já não ocorre (isso é especialmente sensível em longas exposições, o efeito colateral das longas exposições nas digitais é o aquecimento do sensor seguido de ruído).
Tudo isso é muito relativo, as digitais como a S3Pro por exemplo já atingiram níveis de latitude que englobam a maioria dos filmes, porém mesmo a S3Pro com seus 10 pontos de latitude tem grandes dificuldades quando enfrenta certos negativos que atingem absurdos 13 pontos (isso é tão absurdo que do ponto de mais luz para o de menos luz temos 8196 mais luz, e todo o intervalo capturado), uma compacta simples opera com aproximadamente 5 pontos o que realmente pode equivaler a vários cromos porém o negativo de menor latitude que eu conheço de 8 pontos, o que seria o equivalente a uma ótima DSLR.

Eu falava do negativo 35mm mesmo, Leo.
Eu quero achar esse artigo de que falei, sei lá com que bases o cara fala ou tenta demonstrar a equiparação, mas segundo o amigo q comentou o cara não é qualquer um, de repente tem alguma lógica (mesmo q pouco viável).

ACRESCENTANDO, é um fotógrafo de SP, Thales Trigo, dá uma olhada só nos equipamentos e clientes em http://www.estudionovo.com.br/. Bem, segundo esse amigo que assistiu um workshop com ele, esse Thales afirma não haver grande diferença de latitude entre os equipamentos digitais e fotografia de filme, com base no que não sei, mas confesso q fiquei curioso, vou ver se encontro algum livro dele, ele tem alguns públicados.


PS: Hoje me disseram na B&H q se até sexta n houve posição eles enviam dentro dos US meu pedido ou grana de volta. Alguma notícia do teu, disseram isso tbm?!

[]'s.

Gustavo e Leo

O problema para medir a latitude das cãmeras digitais é que a maior parte delas não tem fotômetro de barrinha ou ponteirinho, então não tem um parâmetro para comparação. As Canons, por exemplo, são “what you see is what you get”, e a fotometria é apenas uma estimativa, uma vez que absolutamente não se pode confiar no LCD ou no EVF para dizer se algo está estourado ou não, mesmo que pareça estourado.

Como medir a fotometria dessas câmeras? Em minha opinião somente será possível com uma espécie de cartão tipo tabuleiro de xadrez com níveis de cinza variáveis a partir do cinza 18%. Mas não é somente isso. Esse cartão tem de ter uma textura ou ser rugoso, de modo que na verificação da latitude se perceba quando os detalhes estão sendo perdidos. Aí a análise será feita em uma só fotografia, bastando ver qual o quadradinho estourado.

Tem alguma outra idéia, Leo? Tem alguma outra fonte de informação?

Ivan

Ivan, na verdade a única forma realmente científica para medir a latitude seria em uma cena onde tivessemos várias fontes de luz e verificando como cada fonte de luz se comportou :slight_smile:
A barra cinza tbm pode ser interessante, mas ela é um pouco mai difícil de ser mensurada.

Eu n sei exatamente que fotometro de barrinha vc se refere, Ivan, então perdão se eu estiver dizendo bobagem mas a Panasonic no modo spot tem sim a barra graduada e o ponteiro (embora seja um sistema digital é bem útil e parece preciso), nem me imagino fotometrando sem isso.

Outra, não sei quais câmeras tem um recurso bem interessante que a Panasonic (a partir da FZ15) chamou de highlight. Embora o EVF/LCD estejam sujeitos a falhar no caso das luzes, após um auto-review de 1s (ou verificando a foto com calma), qualquer estouro das luzes pisca na tela. Algumas fotos que “aparentemente” após visualização n estavam estouradas (e estavam) no momento que coloquei essa função highlight como “on” passaram a piscar, seja no céu ou numa camiseta branca.

Realmente útil, pois refiz a foto com a correção devida, evitando a perda, algo que só seria percebido na tela do computador.

Puxa!
Muito legal esses seus testes!
Muito interessante mesmo.
Depois nos fale se realmente a sua conclusão de que quanto menor o tempo menos ruído é verdadeira.
Sei que vc é cuidadoso com os testes e é bem experiente, mas depois só para ter certeza, me fale se os outros quesitos como iso estavam travados para a realização do teste ou vc deixou a camera realizar o cálculo.
Abraços,

Renato

Neocosmo.

Sempre em modo Manual com o ISO 200, o mais baixo da câmera setado. Nada por conta da câmera.

Leo. O fotômetro de barrinha da Fuji é uma linha horizontal com um triângulo pequeno sobre ela que se desloca para a direita ou para a esquerda comforme mudamos a exposição, exatamente como os fotômetros de ponteiro das SLRs. Evidentemente todo método de teste tem limitações, mas é aquela história: você pode achar que o copo está meio cheio ou meio vazio, e sempre tomar meio copo d’água matará mais a sede do que não tomar nenhum. Os meios à minha disposição para o teste são esses, e, diga-se, são os mais coerentes com a situação real de uso, de modo que o teste é completamente pertinente, pois ele me permitirá optar na situação real de uso dispondo exatamente do mesmo meio de mensuração. Acrescento que é mais ou menos fácil estabelecer que se posicionou o fotômetro da mais alta luz, bastando verificar se a partir do meio ele oscila para baixo ou para cima quando escrutinamos com o centro a região vizinha. Como é eletrônico, não sofre efeitos do balanço da câmera como o ponteirinho das mecânicas. Sua observação sobre a forma certa de fazer é perfeita, mas acho que através de um cartão graduado cinza já é possível ter um bom parâmetro prático.

Esses testes, Leo, eu os faço para tornar concreta a teoria, digamos assim. Embora minha estimativa empírica de letitude fosse exatamente essa, é diferente quando isso se torna uma certeza, quando sabemos exatamente o ganha-perde na coisa.

Gustavo: o highlight existe nos conversores de RAW, e é realmente muito útil. Você pode simplesmemete fotometrar um um ponto claro, guardar de cabeça a velocidade e ir diminuindo até começar o hightlight a piscar. Terá estabelecido quantos pontos pode se afastar da fotometria média. O mesmo método não serve para RAW, pois o RAW tem mais um pouquinho de latitude por não ter curva de contraste aplicada, de modo que há algo a recuperar um pouco além do hightlight (normalmente meio ponto). Contudo, quem sabe se diminuir ao máximo o contraste e o brilho? Eu experimentaria nessa direção, e veria se há ganho de latitude assim.