Fisheye Nikkor 16mm f/3.5 e uma estória bizarra

Essa lente é emblemática para mim porque foi a primeira vez que usei uma olho de peixe.
Fiquei maravilhado ao ver o mundo amplo e distorcido por ela, uma olho de peixe 170º de quadro cheio.
Era considerada a mais nítida das odp da Nikon. Agora tem a 8-15mm.
Como a que usei era emprestada, fiquei obcecado por ela e quando comecei minha coleção iniciei as procuras no eBay. Cheguei a ter 5 cópias. Uma delas até foi devolvida ao Japão pelo nosso amado Correio por alguma cagada burocrática não me lembro se do Correio ou da alfândega. O japones não me cobrou frete de volta e morri de vergonha pelo Brasil.
Algumas que chegavam não era perfeitas ("mint condition”) como eu queria.
E ainda existe a Ic, a Ai e a Ais. Tenho as tres.
A qualidade da construção, típica da Nikon, os 4 filtros interconstruídos e a tampa de metal revestida por dentro com uma espécie de feltro fino são espetaculares.

Esse foi o primeiro modelo (Ic)
16mm 2 by Aguinaldo Tinoco de Paula, no Flickr

Filtros interconstruídos
16mm 1 by Aguinaldo Tinoco de Paula, no Flickr

Tampa de metal como não se vê mais, exceto nas Zeiss
16mm 3 by Aguinaldo Tinoco de Paula, no Flickr

Esse foi o último modelo, Ais, com o anel de foco diferente
16mm 4 by Aguinaldo Tinoco de Paula, no Flickr

Sobrenatural
A melhor cópia que possuo é uma Ic, que para funcionar nas câmeras atuais (exceto na Df) precisa ter o anel de abertura trocado.
Comprei ela (e várias outras lentes) de uma americana de Maryland que estava se desfazendo da enorme coleção do marido falecido.
Ela me conseguiu um anel Ai original também, exclusivo dessa lente.
Em 2016 levei a lente para New York e fui na BH Photo pedir indicação de oficina que pudesse trocar o anel de abertura.
Ele me indicaram uma oficina no Queens, quase uma hora de metrô distante.
No dia seguinte fui buscar a lente e o dono da oficina me deu uma lente Minolta. Pra resumir: minha lente havia sumido.
Fui na polícia e o oficial me disse que para resolver eu tinha que processar a oficina.

  • Mas moro no Brasil!
  • Sorry!
    O dono da oficina ficou muito sem graça e me prometeu reparar o prejuízo.
    Comprou uma semelhante até que em bom estado, mais moderna, f/2.8, na Adorama e me deu. Só que essa não tem o mesmo charme e nitidez da f/3.5. Acabei vendendo-a pois já tenho outra.
    Continuei muito puto.
    Cheguei no Brasil e caí dentro da internet em busca de outra f/3.5 em bom estado. É muito rara e em geral quem tem não se desfaz.
    Um mes depois achei uma na seção de usados da BH Photo. Dizia que estava em bom estado. Como confio na BH, comprei sem pestanejar por US$ 500 sem nem ver foto dela.
    Acontece que a BH Photo entrega usados só nos EUA, então pedi para entregarem na casa da tal americana.
    Quando ela recebeu a lente pedi que me enviasse fotos para ver o estado dela.
    Ao ver o número de série confirmei: ERA A MINHA LENTE ROUBADA! E com o anel trocado!
    A americana começou a ter um piripaque e dizer que era o marido dela mexendo os pauzinhos lá do céu para que a lente voltasse para onde ela tinha saído!
    Por sorte tinha o protocolo da oficina e enviei para a BH Photo, que prontamente me devolveu os 500 dólares.
    Essa é a saga da lente que fez o trajeto Maryland - Brasil - Queens - Casa do ladrão - BH Photo - Maryland - Brasil

UAU! QUE HISTÓRIA!

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Caramba!
Uma dessas nunca mais :dizzy_face:

:eek:

Só corrigindo aqui.
Na primeira foto tem o model Ic já com o anel Ai.
A Ic pura é a da terceira foto.

Caramba em… Show essa história se tiver mais pode contar kkkk.
Uma pena você ter ficado sem a lente no fim, coisas mais antigas assim tem um valor sentimental muito grande. Vou contar uma história da minha primeira lente aproveitando o tópico, minha primeira lente foi uma 28mm 2.8 ai-s comprei ela de um porteiro de um bar, na época eu não tinha 18 anos com isso não poderia entrar, dessa forma fui sem RG chegando na porta ele já de cara pedio meu RG falei que tinha esquecido. Aí ele começou falar que me conhecia, que já tinha ido fotografar o refeitório dos funcionários para o jornal etc. Eu disse, você deve estar me confundindo, aí ele começou a dar a discrição do meu pai e mãe com exatidão, fiquei pasmo depois dele falar tudo me deixou entrar hehehehehe.
No final do show ele perguntou se eu tinha câmera e me ofereceu essa 28mm, como eu não tinha nenhuma lente tinha acabado de comprar o corpo da câmera, acabei comprando a lente dele.
Chegando em casa no dia seguinte, perguntei para minha mãe se já tinha ido algum fotógrafo no trabalho para fazer fotos de funcionários para o jornal, aí ela me fala que nunca foi ninguém fotografar nada no trabalho.
Nunca vou vender essa lente, ela tem um grande valor sentimental e uma boa lembrança.

Infelizmente tem muita gente aqui no Brasil que não dá valor a boa reputação.
Imagine o presidente da Leica lendo uma coisa dessas.

Que estória e que saga Aguinaldo.

Fiquei com a lente sim.
Comprei ela da BH que entregou para a antiga dona, que me enviou de volta.
Ou seja, comprei de novo a lente, que tinha sido roubada. Mas a BH devolveu a grana.

Me desculpe entendi errado, eu tinha achado que ela não tinha devolvido por achar que era o marido dela…

Era sim, mas ela tinha me vendido.

Que tal criarmos uma pagina de historias como essa … ?
Eu que sou velhinho iria gostar muito , afinal de contas essa da 16mm do atpaula deixa qualquer filme do james bond no chinelo … :assobi:

Tenho outra estória mais cabeluda ainda, envolvendo a aquisição da minha primeira DSLR (Nikon D80) no Paraguai.

:o :o :clap: :clap: :clap:

Demais!! Que bom que conseguiu recuperar…
Eu já li caso tbm de gente que encontrou seu equipamento roubado nos usados da B&H… também tiveram devolvido.

Essa dá pra virar um episódio de Black Mirror hein…
Só escrever o script e mandar pra Netflix.

:ok:
Ah é?
O que voce acha dessa aqui então…

kkkkkkk esse aí nem grey marketing é … é brown marketing de lama da cara do motorista kkkkkkk.