Fotografia não tá mais dando pra viver?

Aí, ser fotógrafo não tá mais dando pra ganhar o pão de cada dia? Ultimamente tenho notado nas redes sociais principalmente Facebook e Instagram que muitos fotógrafos estão oferecendo curso de fotografias. Alguns até de graça no início, mas outros ensinado tudo. Fico me perguntando qual a intenção desses caras. Só para ganhar like?
Ou será que é porque não estão mais pegando serviços como antes? Por mais que alguém aqui queira negar, mas está claro que muita gente hoje deixou de contratar os serviços de profissional porque já tem um celular super hiper top que faz fotos super hiper top e aprendeu a fazer as fotos legais com esses cursos.
Eu trabalho com formaturas muitos aqui sabem disso. E mesmo sendo reconhecido na região notei a queda nós serviços por causa de novos fotógrafos dessa geração digital que fazem 30 fotos por 100 Bozos e entrega em CD ou Pen drive. Muitos não tem né sequer uma câmera modesta, fazem com celular mesmo um Xiaomi da vida. E o povo, claro, aproveita. Tudo gracas a esses cursos gratuitos.

Isso é marketing de conteúdo.
Anda ficando bem popular graças a empreendedores como o Gary Vaynerchuck.

Basicamente a idéia é fazer conteúdo gratuito para ganhar autoridade/seguidores e depois de ter uma base estabelecida lançar um produto/curso pago e também se aproveitar da sua autoridade para se posicionar melhor no mercado e até conseguir patrocinadores para sustentarem a produção desses conteúdos gratuitos.

Faz bastante sentido na minha opinião e pra empreendedores individuais e pequenas empresas é uma excelente opção.
E reclamar disso não resolve nada, tem que se adaptar.

Adaptar a quê? Fazer foto de graça?
Isso tá fazendo muita gente achar que já pode sair sendo fotógrafo e fazendo serviço sem a mínima noção de preço.
Aqui tem uma meia dúzia assim. O prior de tudo e que tem gente contratando eles.

E tem gente fechando contrato de casamento por R$20.000
Se essa galera tá fazendo de graça, o que leva uma pessoa a pagar 20 mil pra fazerem as fotos dela?

Você tem que se adaptar pro seu cliente ver valor no seu trabalho.
Como você faz isso, é algo que você tem que descobrir.
Se seu cliente está fechando com outro por causa de preço, ou ele nunca foi realmente seu tipo de cliente ou você pode melhorar a forma de vender o valor das suas fotos.

Isso que você falou já tem anos e o Di Torres explicou muito bem.

E sim, dar curso de fotografia é mais lucrativo que fotografar.

Bem colega, se o seu cliente não enxerga diferença no que está sendo oferecido o valor se torna um fiel da balança e não é de hoje isto.

Trabalho com molduras entre outros e uma empresa começou a vender vidro no tamanho A4 e A3 a um valor menor que eu compro a chapa no atacado. Outra empresa começou a vender o fundo no mesmo esquema, Junte isto um perfil de moldura com qualidade + ou - e uns doidinhos (as) pra dar acabamento fez os valores despencarem. Nem entro mais nessa vibe, normalmente minhas vendas são tamanhos grandes e personalizados, ai dá samba.

Outra coisa, eu idiotamente não trabalhava com MKT digital, achava que eu por ser ducaralho as pessoas iam me achar e a venda se realizaria. Nem sou tão bom assim (o que não é ruim, assumo uma posição de estudo/pesquisa constante) e simplesmente as pessoas não vinham até mim.

Curso dá muito certo sim e nem precisa ser fidedigno, por incrível que pareça. Tenho acompanhado curso de pintura em tela (o mkt deles) pra dar uma força pra esposa e a pessoal que oferece “fique rico vendendo suas pinturas mesmo que nunca tenha pintado”, tem 200.000 seguidores e um cara extremamente didático e muito bom tem 5.000

Os tempos mudaram…
As redes sociais e seus influenciadores e influenciados tem um poder hoje tão grande quanto a imprensa tradicional para atrair público, mercado de propaganda, etc… E pq estou falando isso? Pq é extremamente acessível para todo mundo (clientes, empreendedores, fornecedores, etc…) e isso corta barreiras para diversas pessoas empreenderem.

O problema é que tem uma enxurrada (é com x?) de pessoas tentando ganhar dinheiro nesse mercado por conta da combinação de aspectos como maior acessibilidade à câmeras e treinamentos, informalidade ou necessidade de renda extra, maior mercado consumidor para ensaios de 100 reais e eventos de 300 reais, etc… e por aí vai.

É cruel? Claro que é!!! Mas é uma realidade que veio para ficar e as pessoas tem que se reinventar. Eu já pensei em investir mais para aumentar a clientela mas cheguei a conclusão que não vou me estressar e vou continuar fazendo esse meu part time job como um bico sem ficar noiado pq não estou tendo clientes (e também não quero perder meu tempo precioso investindo em prospecção de mercado). Por isso que eu acho que se reinventar, entregar vídeo, partir para novos ares é fundamental para se destacar dessa realidade que vem se tornando comum nos últimos 4 anos.

Será que tem ainda ou será que só tem quem fala?

:snack:

Aqui no interior de SP tem uma vasta gama de estudantes em fotografia, muitos cobram 200 reais pra fotografar um casamento, e por fazerem um bom marketing digital acabam ganhando fama. Já vi até trabalhos melhores do que de fotógrafos estrelinhas que se acomodaram.

Viver de fotografia vai ser cada vez mais difícil, se não vender um pacote de serviço e produto não vai ganhar pra viver.

Tanto que vejo um álbum que fotógrafos estrelinhas cobram 4 mil impressos na Digipix sendo que o álbum em si custa 500 reais para qualquer um que entrar lá e ter tempo pra fazer, será que ainda se terá lucros deste tipo?

Hoje para se viver um padrão mínimo de decência em uma cidade média, eu diria que o fotógrafo precisaria, no mínimo, tirar uns 8,000 reais por mês limpo já descontado os custos de impostos, combustível e outros custos associados ao seu trabalho. Quantos fotógrafos que vivem só de fotografia conseguem tirar isso ao longo de um ano (média)?
Se quiser ter um padrão legal de vida, esses rendimentos deveriam ser o dobro. Aí vem a pergunta, quanto se precisa cobrar vs quanto precisa trabalhar para chegar nesse nível? Com certeza tem toda a experiência e conhecimento mas o marketing e cesta de produtos tem total influência nisso aí.

Acho que hoje é assim:

80% ganham mal ou conseguem sobreviver o que é diferente de viver.

10% ganham bem o suficiente pra conseguir sobreviver e curtir um pouco.

5% ganham realmente bem

Talvez eu esteja exagerando nos números. Mas ter 2 mil de lucro não é viver e sim sobreviver.

Quem consegue tirar 4 mil sobrevive e ainda consegue juntar um dinheiro pra alguma coisa.

Agora se você leitor acha 4 mil por mês muito pouco. Te digo que a grande maioria das pessoa sobrevive com bem menos que isso ou tem uma renda familiar que não chega a 4 mil.

Realidade que tem muito fotógrafo que sobrevive com 1 mil a 1600 de lucro por mês.

Eu tenho curso de datilografia e infelizmente hoje não tem emprego pra isso. Também tenho cursos de fotografia que não valem tanto quanto valiam em 2013.

É isso aí… Tem que buscar o que é melhor pra cada um.

Pra complementar… os empregos que menos sofrem são os específicos. Os que precisam de cursos para exercer a profissão.

Já teríamos médicos formadis pelo YouTube se não houvesse regulamentação.

Eu posso estar errado, mas um caminho pra salvar a profissão seria a regulamentação onde só poderia exercer seguindo regras. Seria bom para os profissionais e os clientes que iriam parar de sofrer golpes, falta de entrega de trabalho etc.

A regulamentação faz mais sentido para profissões que exigem nível técnico ou superior e que lide com certos graus de responsabilidade.
Na teoria, qualquer um pode ser fotógrafo (não é exigido nenhuma formação ou especialização para exercer este ofício, exceto fotojornalistas). Sem falar que muitos nem querem ouvir falar sobre regulamentação na área.

Eu sou contra regulamentação. Sempre gera corrupção, burocracia e protege interesses daqueles que lideram a categoria ou ag. reguladora. Tem de ser livre mercado e ponto.

Também acho. É como foi dito: os tempos mudaram e cada um vai ter que se virar pra conquistar o seu espaço/reputação/valor. Uma regulamentação serviria mais para pseudo proteger quem tivesse carteirinha e acomodar esses profissionais.

Muito interessante esse assunto.

ideal seria, mas é difícil achar quem ganhe isso só com fotografia.
pra ganhar isso só com um leque de serviços e produtos.

Uma associação forte não seria ruim, como a APA e PPA nos EUA.

Com certeza.
Ter associações com o intuito de fazer lobby positivo, credenciamento, selo de qualidade e coisas do tipo eu sou totalmente a favor.
O que não pode ter é uma associação virar um sindicato ou qualquer outra coisa meramente política e meios de extorquir dinheiro dos profissionais. Muitas vezes essa é uma linha muito tênue a ser traçada.

Eu acho que tudo é um equilíbrio.

Imaginem que não tem mais regras pra exercer medicina. Qualquer um podendo atender e fazer procedimentos.

Infelizmente a sociedade precisa de regras pra funcionar pela propria natureza humana.

Entendo a sua comparação com as devidas proporções mas mesmo assim acho que é outro cenário.
Desde que não envolve qualquer risco de vida ou danos materiais, não vejo problema nenhum em não ter regulamentação.
Veja os serviços de aplicativo como Uber e Lyft, desde que a pessoa seja habilitada, tenha seguro e um carro em um certo nível de idade e conservação, pode ser motorista.
Cabe ao motorista e ao mercado consumidor regular se ele vai ter clientes ou não.