Gesso

Estou fazendo obras em casa, e isso levou-me a essa oficina de gesso, pois precisei de uns blocos para fazer uma parede falsa.

O lugar é fascinante para fotografar. Esta é a primeira abordagem. Vou voltar lá, pois não levei tripé e quero fazer fotos com ISO baixo e exposição demorada.

http://img230.imageshack.us/img230/9084/gesso01df9.jpg

http://img45.imageshack.us/img45/1866/gesso07cp0.jpg

http://img219.imageshack.us/img219/2204/gesso06ar1.jpg

Ivan, este lugar é um celeiro de boas composições e na hora pensei em pouca luz, muitas sombras, tem várias opções.
Estas que fizesse agora me parecem apenas registros do local, sem muita preocupação com a composição. É preciso evitar a composição muito poluída, pois existem objetos espalhados pelo local todo.

Abraços.

Não são apenas registros do local não, Paulinho. Você pode não ter gostado, e eu respeito isso, mas há algumas composições aí que me agradam muito, como a primeira vertical, a terceira vertical (surrealista) a primeira horizontal. Mas nenhuma me desagrada nem foi feita com desleixo (e sim com rapidez, foram poucas fotos). Também penso que o atraente neste local é exatamente a grande quantidade de elementos, coisa que adoro e você sabe disso. Jamais em um ambiente assim eu vou simplificar a composição nem fugir da multiplicidade, pois a multiplicidade é exatamente o que me atrai.

Gostei da segunda, onde o elemento humano eh introduzido. Realmente eh um lugar bem interessante, mas concordo com o Paulinho, esta faltando um “tchan” nas fotos. Me parece documental.

Obrigado pelo comentário, padu.

Minhas fotos não são muito cheias de tchans -risos. São simples, como essas.

Abraços,
Ivan

O tchan que eu me refiro eh o tal do “pop” que a gente se refere por aqui. O que eu quero dizer eh que eu nao vi nada se destacar, “pular pra fora da imagem”. Esse eh o tal do tchan.

Uma dica de quem ja levou varias chibatadas em comunidades fotograficas online por ai afora… quando vc coloca uma foto sua para ser criticada, o melhor a fazer eh absorver os comentarios q voce acha que vao te acrescentar em alguma coisa. Se voce ficar muito defensivo, ninguem vai falar o que pensa da sua fotografia… afinal, nao foi para receber criticas que voce as postou em primeiro lugar?

Obrigado pela dica, padu. Como eu nunca levei chibatadas em comunidades fotográficas, sempre tive críticas favorabilíssimas e sou praticamente um novato nessas comunidades, talvez tenha me faltado esse aprendizado.

Falando a verdade, não as postei para receber críticas. Postei para mostrar. Se alguém quiser criticar, fique à vontade sempre, mas não postei para buscar “dicas”. Obviamente uma boa crítica acrescenta-nos, mas nem toda crítica é útil.

As críticas úteis são aquelas que o crítico procura entender o que está criticando, saber qual o sentido das fotos postadas, etc. Isto é: a boa crítica é feita por quem não exige das fotos que vê que cumpram um modelo que tem na cabeça, mas procura enxergar o que há nas fotos. Quando o crítico age assim, sua crítica nos acompanha, nos faz ir um passo além. Quando ele somente registra que a foto não cumpriu o seu “modelo”, aí não há muito a ganhar com ela, pois evidentemente não vivemos para cumprir os modelos dos outros.

Que lugar interessante! Um prato cheio pra você Ivan, que gosta de explorar ambientes com riqueza de elementos. Na primeira foto, a que mais me agradou diga-se de passagem, tem um vão no meio em baixo que não sei se é um espelho ou mesmo uma passagem! Ao mesmo tempo que parece um vão parace ser um espelho, porque parece não ter altura pra ser uma passagem ou então a foto foi batida bem acima do chão. Bem interessante!

É uma espécie de janela interna ligando o espaço inicial que poderíamos chamar de “loja” e um espaço interno onde o proprietário faz as esculturas em gesso, modela. A foto foi feita de dentro deste espaço.

O lugar é uma tentação para mim, pois é assim, cheio de coisas, como gosto. O que senti falta foi de um tripé, pois fui obrigado a usar ISOs altos e velocidades baixas, e não pude fechar as lentes em f/8 como gostaria.

Grande abraço, Beto
Obrigado,
Ivan

Fui e voltei em cada foto umas três vezes, pelo menos, e a cada vez passava mais tempo percebendo os detalhes e novas coisas se revelavam. E é toda essa complexidade visual, que parece “poluição” a quem não se detém o suficiente, que torna essas fotos tão interessantes. Poucas coisas que vemos suportam a repetição do olhar, como é o caso aqui. Pra mim todas são surreais.

Na terceira, não é a águia que me atrai insistentemente a atenção, nem a vassoura, nem a tábua quebrada ou o bebedouro: é o crucifixo. Ele está perfeitamente no lugar, mas ao mesmo tempo totalmente deslocado, pois não combina com todas as outras peças que o acompanham na parede. Pra mim se encaixa perfeitamente como o punctum de Barthes.

A quarta é mais formal e organizada, sólida. A quinta é fantástica pelas curvas da concha do lado direito e a estátua sinuosa do lado esquerdo que cria uma tridimensionalidade estranhíssima.

Pergunto-me se você tinha consciência, na hora, de todas as surpresas que essas fotos poderiam revelar e se, numa segunda visita, haverá mudanças na forma de fotografar o lugar.

Todas estas fotos me causam um certo estranhamento. Surreais certamente. Sinistras até.
Boas fotos.

Abraços,
Fabio

Eu acho que toda a crítica tem dois lados. Por um lado, expõe o gosto do crítico, e como dizem os filósofos de boteco, gosto é como… bom, o resto vocês sabem. Não quero entrar no mérito se a crítica do Padu é construtiva ou não, mas uma coisa é certa, fez o Ivan pensar na resposta e elucidar algo da concepção das fotos.

A segunda foto influiu na forma como eu vi a série inteira… pareceu-me algo na linha documental. Mas é o meu ponto de vista, que, por sinal, talvez seja uma droga de ponto de vista, mas talvez faça alguém pensar, replicar, etc… acho muito positiva essa troca de farpas :stuck_out_tongue:

A arte tem asas. Pode ser livre, pode ser amarrada a um poste para que não voe muito longe, mas não deixa de ser arte. Pode ter ou não uma idéia, um conceito, um apelo ao pop. Quanto às críticas, o que não interessar, basta colocar no lixo, mas eventualmente se tira alguma coisa interessante para refletir.

Bom dia Ivan, lá estamos nós novamente fomentando discussões com opiniões diversificadas, o que é muito interessante.
Veja, temos concordantes com a sua opinião e com a minha, mas notei que os que concordam contigo parecem defender acirradamente a sua posição.
Quase assumem um tom agressivo, mandam jogar as críticas no lixo, parecem ávidos por defender seu ponto de vista à qualquer custo mostrando estarem ao lado do “Ivan de Almeida” o que lhes dará grande mérito como fotógrafos. Afinal compartilhar da mesma opinião sua deve atribuir-lhes potencialidades fotográficas imensas, baseados na sua reputação como um grande pensador, escritor e defensor de sua posição como fotógrafo autêntico.

e como dizem os filósofos de boteco, gosto é como...
Incrível como se fala as coisas sem pensar, se as críticas são para tal, nem deveria estar num fórum onde compartilham opiniões pois as desmerecem a ponto de classificar o gosto do crítico de m....

Não gostei das composições, sou sincero em dizer.
Gostaria de ver algo mais elaborado, isolando um pouco alguns elementos que prendessem o olhar, não permitindo esse passeio involuntário por toda a composição.

Abraços,
Paulinho Cé

mandam jogar as críticas no lixo, parecem ávidos por defender seu ponto de vista à qualquer custo mostrando estarem ao lado do "Ivan de Almeida" o que lhes dará grande mérito como fotógrafos. Afinal compartilhar da mesma opinião sua deve atribuir-lhes potencialidades fotográficas imensas, baseados na sua reputação como um grande pensador, escritor e defensor de sua posição como fotógrafo autêntico.

Isto que você escreveu é ofensivo, gratuito e descasado da discussão. Desrespeita os colegas quanto à sua capacidade de julgamento e entendimento e a mim porque atribui-me precisar criar tal tipo de situação.

Foi por falas assim, gratuitamente desrespeitosas, que já houve tanta confusão em outros fóruns, e você a assistiu, caríssimo, e nela, perdoem-me dizer, não agiu como amigo, tendo ajudado no linchamento que sofri então.

Quanto ao fato de gostar de coisas isoladas na composição, é exatamente a questão. Você me conhece há vários anos, sabe muito bem que toda a vida dediquei-me a composições complexas e que para mim não existe fotografia poluída. Então, quando faz uma crítica desta, Paulinho, você não está de fato considerando o que o fotógrafo quis, pois é evidente que não vou fazer fotografias isolando uma coisa com fundo desfocado. Para fazer isso eu não precisava encontrar um cenário tão legal. É exatamente uma crítica que pega o seu modelo e o usa como metro para ver a minha fotografia, e demanda que ela cumpra um modelo que não é meu.

Como disse, respeito o seu ponto de vista o o do padu. Só que não me servem para nenhuma meditação, pois tudo o que fazem é demonstrar incompreensão quanto a minha abordagem e pedir que eu seja diferente do que sou.

Esse tipo de crítica, Paulinho, não é crítica generosa, pois não considera de verdade o real trabalho do outro. A verdadeira crítica exige comprewnsão, exige sair de si e ver o que o outro quer, e aí sim, avaliar segundo a intenção e o quanto foi conseguido dessa.

A segunda foto influiu na forma como eu vi a série inteira... pareceu-me algo na linha documental.

Essa frase dá tantas linhas de desenvolvimento que é até difícil.

Mostrei cinco fotos. UMA delas é suficiente para você achar que é um trabalho documental? (e aí, perdoe-me a tradução, a palavra está quase sendo sinônimo de snapshot). Fico pensando que meu problema é mostrar as entranhas do meu processo criativo. UMA foto bastou para conotar a série para você, quando as outras quatro nada têm de documentais, mas de abordagem, como bem dito pelo Rodrigo, surrealista e no caso da quarta de estabilíssima composição.

O que me deixa intrigado, Francisco, é entre cinco fotos, a crítica apoiar-se em apenas UMA para chegar a uma conclusão, e somente apoiar-se naquela que dá base para uma avaliação negativa.

Aí fico pensando no significado da palavra documental nos fóruns. Ela é uma palavra depreciativa. Ela quase significa que o fotógrafo agiu como um turista viajando. Fico pensando, examinando as fotos da série se há o mínimo apoio a essa afirmativa.

A série é uma excursão a um lugar que me atraiu, que fica longe da minha casa, ao qual fui há quatro meses atrás e percebi imediatamente como era adequado ao meu tipo de abordagem e pude voltar lá ontem e fazer uma primeira exploração. As fotos têm defeitos? Claro. Os defeitos das fotos são. 1) Ausência de nitidez perfeita devido às baixas velocidades e não dispor de tripé; 2) Uso de aberturas médias quando deveria ter usado aberturas menores para ter mais profundidade de campo para ter ainda mais detalhamento e complexidade -esse defeito igualmente derivado da pouca luz; 3) Uso de ISOs altos o que também contribui (principalmente o ISO 800 de algumas) para degradação da imagem.

Dentro da proposta, esses são os defeitos, e eu os conheço. São o preço, o compromisso, para realizar uma primeira seção exploratória.

Obrigado pela crítica, que acima examino mas não desconsidero, pois conheço sua forma de abordar as coisas de forma nenhuma desatenta.

Grande abraço,
Ivan

Pra mim todas são surreais.

Na terceira, não é a águia que me atrai insistentemente a atenção, nem a vassoura, nem a tábua quebrada ou o bebedouro: é o crucifixo. Ele está perfeitamente no lugar, mas ao mesmo tempo totalmente deslocado, pois não combina com todas as outras peças que o acompanham na parede. Pra mim se encaixa perfeitamente como o punctum de Barthes.

A quarta é mais formal e organizada, sólida. A quinta é fantástica pelas curvas da concha do lado direito e a estátua sinuosa do lado esquerdo que cria uma tridimensionalidade estranhíssima.

Pergunto-me se você tinha consciência, na hora, de todas as surpresas que essas fotos poderiam revelar e se, numa segunda visita, haverá mudanças na forma de fotografar o lugar.

Vou começar pelo fim, Rodrigo. Quando vi esse cenário, lá por junho, eu o considerei fantástico para meu tipo de abordagem, pois evidentemente ele tem essa coisa barroca e surrealista -a palavra é exatamente como percebo. Então é claro que minha consciência do tipo de imagem possível, em linhas gerais, já existia desde então. Do contrário eu não botaria câmera e duas lentes no carro para fazer isso. Mas é claro que quando abordamos um assunto em várias seções -coisa que gosto de fazer- vamos ganhando conhecimentos minuciosos sobre ele, e vamos ganhando aperfeiçoamentos conceituais.

No caso conceitual, há uma coisa neste cenário muito sutil. As esculturas podem assumir o papel de protagonista, mas é preciso evitar a todo custo humanizá-las em demasia. Se humanizadas, ficm pobres, pois evidentemente não têm a espessura do verdadeiro ser humano. Mas quando usadas como elementos perturbadores, como a silhueta de perfil no meio da quinta, o rosto de mulher na borda direita-centro da terceira e que aparece também na primeira, os torsos nús da terceira, etc. Essa ambiguidade entre quase-humanos mas não humanos, e evitar completamente o grau de ersonificação que transformaria em clichê, é para mim a chave desta exploração nas fotos futuras.

Minha visão delas é muito parecida com a sua.

Obrigado,
Grande abraço,
Ivan

Discordo totalmente da sua interpretação sobre a minha citação.

Quando mandam jogar as críticas no lixo

Quanto às críticas, o que não interessar, basta colocar no lixo
é que estão desrespeitando o colega de fórum.
Quando falam que gosto é igual a …
Por um lado, expõe o gosto do crítico, e como dizem os filósofos de boteco, gosto é como… bom, o resto vocês sabem.
é que estão qualificando o crítico como …, e estes comentários não foram retrucados por tí, pois estavam defendendo as tuas fotografias. Sentí-me ofendido por ambas as citações e mais ainda porque a tua conivência consolidada pelo teu silêncio foi visível.
Acho que novamente devemos bater na mesma tecla, se não estamos aqui para receber as críticas com humildade, então estamos aqui para que?
Para nos ofendermos mútuamente?

Isto que você escreveu é ofensivo, gratuito e descasado da discussão. Desrespeita os colegas quanto à sua capacidade de julgamento e entendimento e a mim porque atribui-me precisar criar tal tipo de situação.
Ofensivas foram as citações que mencionei. Gratuito ? não. Apenas a contrapartida, a reação à uma ação. Descasado da situação? De forma alguma. E tú sabes que não. Lendo novamente as citações e a tua resposta, pareceu-me que defendesses os agressores contra o agredido, e isso é impróprio de tí. O teu discernimento vai muito além disso e esta atitude mostra um desconhecido para mim, lamentávelmente.

Ivan, eu não vejo nada de errado com foto documental (que é uma linha muito ampla, às vezes se encontra com o fotojornalismo, às vezes tem uma abordagem mais conceitual). Esse tipo de fotografia (junto com a fotografia de eventos sociais) é o que mais tem me atraído hoje em dia. A idéia de deixar para a posteridade bons registros de uma cultura, de uma família, da vida de alguém, etc, eu acho fascinante.

A minha (primeira) impressão sobre a sua série de fotos se deve ao fato de que imagens exibidas em série acabam adquirindo um relacionamento entre elas, fortalecendo algumas impressões e atenuando outras. O clima de surrealismo está presente nas fotos isoladamente. Na última, os bustos parecem conversar e olhar para algo muito importante lá fora. A terceira tem um clima macabro, parece ser um lugar onde ocorrem esquartejamentos, sessões de tortura ou algo parecido. Mas essas são as minhas impressões. Alguém pode ter uma resistência às composições e enxergar apenas um amontoado de gesso.

Por isso que eu digo que as críticas são interessantes até o ponto em que trazem elementos novos para expandir o nosso olhar. O que não interessa, basta descartar, mas eu aprecio as críticas, pois são elas que trazem as melhores discussões sobre fotografia aqui na galeria.

mais ainda porque a tua conivência consolidada pelo teu silêncio foi visível.

É para rir?

Aonde estava você quando fui linchado naquele outro fórum?

Resposta: ativo e satisfeito entre os que linchavam. Um dos mais ativos, até. Como agora, aliás.

Paulinho, você exige muito dos outros e muito pouco de si mesmo.

Francisco, não concordo com o seu ponto de vista pois as críticas são adversas à opinião do autor e não devem simplesmente serem descartadas.
Caso contrário seriam elogios, comentários e apenas concordariam com a fotografia apresentada.
Mostrei as suas citações e não mencionei o autor mas acho que você deveria respeitar um pouco mais os colegas daqui, concordar é uma coisa, atacar os discordantes é outra.
Ivan e eu ja temos discutido amplamente várias fotografias, composições e pontos de vista e nunca precisamos de aliados para defender nossa opinião, elas são autênticas.