Manipulação, até que ponto

A alguns meses atrás li em um forum uma questão que achei interessante trazer para este forum.

O que vocês acham da manipulação da imagem, transformando o real no irreal, porém transmitindo uma sensação de hiper-realismo? (ex. ensaios de revistas como playboy e demais)

Quanto aos ajustes, eu sou a favor. Os laboratórios de revelação sempre fizeram essas manipulações pros fotógrafos, depois, com as digitais e seus jpegs, são os softwares embutidos nas câmeras que fazem essas ‘revelações’. Com os editores pelo menos é o próprio fotógrafo que define como ela será feita.

Quanto a uma transformação mais radical da foto, também sou a favor :smiley: . Se o resultado for legal não vejo problema nenhum. Quanto a playboy, sei lá! :stuck_out_tongue: . Dizer que ela ‘mente’ não dá, porque todo mundo já sabe que ela é alterada mesmo! :lol: Quem é mais antigo se lembra da Hortência com seios. Hehe.

Eu era um pouco “purista” com relação a isso, mas hoje estou deixando o lado xiita da anti-edição e partindo pro lado que poderia se chamar “ético” dela.
Em outros termos, hoje sou a favor da edição desde que se mantenha as características originais da foto, tratando apenas intensidade de cores, normalização de sombras, sharp, contraste e ruído. Conversões em sépia, p&b tb estão incluídas, ainda que no processo analógico isso seja completamente diferente.
Não gosto de ver uma foto onde o tratamento foi tão pesado que a mesma ficou “plástica”. Poderia citar um exemplo, mas vou me abster de inimizades :slight_smile:
Com esse lado puxado pro neo-purista, acabei por me convencer que a composição na camera deve ser o mais próximo possível do que eu mesmo consideraria a foto perfeita. Logíco que a perfeição não existe, mas quando penso dessa forma na hora de clicar, acabo por ter fotos mais reais e bonitas, que podem até sofrer ajustes, mas com certeza nunca serão plasticas.

Tudo isso, vale lembrar, é o meu gosto e a minha exclusiva opinião.

Olha edição é o laboratório digital, sou totalmente a favor, mas deve ser feito com total critério, tem gente que limpa pele de modelo a um ponto que você não consegue mais observar sequer a textura da pele.
Tratamento sim, mas com critério. Tudo que se torna muito irreal acaba sendo prejudicial.
Com relação a Playboy para mim são um exemplo de tratamento bem feito.
Conseguem alterar mantendo texturas de pele relativamente reais, dando a impressão de perfeição feminina e não de perfeição digital, eu particularmente gosto tanto do trabalho deles como do da Vogue.

Sou amador ainda, mas concordo em partes com vcs …

Eu acho o seguinte, quando tiramos uma foto, queremos passar alguma “ideia” do q é realmente aquela foto … tentamos passar a pureza de uma criança, ar puro de certas paisagens … toda foto tem algo subtendido à nossas cabeças … então se a pessoa usar a manipulação digital para chegar nos tais “fins” q ele procura para foto, aprovo plenamente a edição …

Cito a Playboy, o obejtivo da foto é passar o máximo de sensualidade e e mínimo de imperfeições normais do corpo da mulher, então apoio a edição deles se o objetivo for esse … particulamente gosto de foto de mulheres sem edição, gosto de fotos de mulheres sem maquiagem , de mulher ao nascer no sol, de mulheres dormindo, acordando, pureza …

Pra mim, fotos naturais em condições naturais é a maior pureza q se pode extrair delas … mas cada um pra seu fim …

Eu por exemplo não abro uma revista Playboy para adimirar a foto, e sim para mulher, então não fico julgando nada da fotografia em si … pra mim eles conseguem passar todo o “tesão” da foto pros leitores …

Então, finalizando, como cada um pra seu fim, cada um com sua interpretação da foto, deixemos cada um fazer oq queira, e vamu tornar nosso mundo mais colorido, mais alegre, mas verdadeiro, mas bonito! vamos fotografar!

Abraços galera …

Alô.

Há um ponto em que aquilo deixa de ser fotografia, e passa a ser atre gráfica ou arte plástica. Que ponto é esse?

A resposta é um pouco complicada. Em primeiro lugar, é preciso entender que fotografia não é realismo, e que não há, de fato, identidade entre a sensibilização do filme ou CCD e a da retina humana.

A razão disso é que a percepção de um contexto por alguém não representa um corte temporal definido de, digamos, 1/60, 1/30 ou 1/1000s. A idéia de ambiente e de percepção visual é construída por uma série de atos de ajuste perceptivo, através dos quais o espectador escrutina um campo visual, e se ajusta para percebê-lo da forma mais clompleta (e significativa) possível.

Por exemplo. Se uma câmera é apontada para uma região de alto-contraste, então ela será regulada para uma latitude que o filme ou o CCD têm. Ela capturará uma intensidade relativamente à outra, isto é, as partes escuras serão mais ou menos escuras de acordo com a regulagem necessária para capturar o branco. Podem ser tão escuras que nada se veja.

Contudo, a visão humana ao varrer esse compo visual será ativa, isto é, variará a abertura à medida que se desloca, e a construção mental do contexto será a soma dessas adaptações, isto é, ela verá o caro e o escuro, cada um com seus detalhes, pois ao olhar para cada um se regulará (abrindo e fechando a pupila) para a intensidade de luz. O ambiente não é captado instantaneamente, mas através de uma integração entre um processo permanente de captura que transcorre no tempo.

Voltando à manipulação. Partindo do dito acima, considero válidas as manipulaçãos que através de correções de cor, contraste e luminosidade diferenciadas façam a foto ser totalmente escrutinável, à maneira da visão desarmada. Isso abre um campo muito vasto. O que interessa, para mim, é o resultado da manipulação ser perceptualmente convincente, e não flagrantemente artificial.

Contudo, considero também v´laidas manipulações cromáticas de saturação escessiva, para temas específicos, ainda que fujam da percepção normal.

Não considero válidas: criação de imagens com alteração de seus elementos (exceto supressões de defeitos insignificantes), fusões de um campo te terra com um céu tirado de outra foto, aplicações de texturas, etc. Esses efeitos, independentemente de ficarem bons ou não, apartam a coisa do campo perceptivo, das convenções perceptivas, deixando, assim, de ser fotografia.

Ivan

Concordo plenamente com o mahain, Ivan e outros, a edição digital é simplesmente o trabalho de laboratório feito com outras ferramentas. Quem é contra tal edição, deveria considerar que os grandes fotógrafos do passando também trabalhavam suas fotos em laboratório :slight_smile: O ponto é que softwares como o Photoshop tornaram a edição de imagens algo bastante acessível, além de permitir exageros. Não há nada pior do que fotos em que a redução de imperfeições na pele é tanta, que a mesma perde a textura e fica com aspecto plástico. Quer fazer trabalhos mais agressivos? Ótimo, mas aí estará fazendo arte digital, e não trabalho fotográfico. Mas também não devemos renegar os softwares de tratamento, eles são necessários a uma etapa importante do processo da fotografia. Finalizando, gostaria de acrescentar que mesmo os ajustes básicos (níveis de luminosidade, contraste, saturação, sharpness, balanço de cores, etc) podem tornar uma imagem artificial, quando usados sem critério. Uma breve visita ao Usefilm mostra isso: muita gente aplica uma saturação tão grande às suas fotos, que as mesmas ficam simplesmente irreais. Bom-senso e moderação são fundamentais!

Atualizando: queria dizer ao Flávio e aos demais que possam trabalhar com a imagem além do “real”, que não sou de forma alguma contra tal trabalho, desde que o propósito esteja claro. Exemplo: não acho que fotos de alimentos devam sugerir algo que não existe (como os hambúrgueres perfeitos das fotos de lojas de fast-food), porém nada impede que se manipule uma outra imagem pra insinuar propositalmente um ambiente surreal, por exemplo (como na propaganda de um calçado pra trilhas). Enfim, acho que depende muito dos propósitos, mas certamente é preferível que a manipulação mais agressiva seja algo “às claras”, que não passe como uma tentativa de enganar o consumidor.

Aproveitando o comentário do Georges, acho que depois do filme “Um dia de Fúria” o pessoal das lanchonetes deveria tomar cuidado com as imagens dos Hamburguers utilizadas em suas lojas… :wink:

Abraços,

Calma pessoal, eu li essa discução em um forum. Eu simplesmente dei um Ctrl C Ctrl V.

Eu também sou a favor da manipulação, e utilizo muito ela. Quando trabalho com imagens, muitas vezes o resultado da imagem não é o ideal. Aí acho muito válido o tratamento de imagens pelo ps ou por outras ferramentas gráficas, para se chegar ao resultado esperado.

Em certas condições é quase impossível chegar ao resultado esperado…

Certa vez um amigo de uma agência de publicidade teve que fazer umas fotos para uma marca de refrigerante, aonde a garrafa do mesmo teria que ficar com aquelas gotículas em volta. Depois de muitas fotos, ele reparou que nunca conseguiria chegar exatamente naquele resultado, então ele partiu para o ps, e conseguiu reproduzir as gotículas. O trabalho ficou ótimo.

A questão da manipulação digital atinge tambem os meios de comunicação impresso, a ultima polêmica foi em torno de uma foto divulgada do atentado a bomba na Espanha, onde um pedaço de um dos passageiros do trem foi removida digitalmente para amenizar ( ou evitar classificações de sensacionalismo) a violência da foto.
O que estava em discursão era se era anti-ético manipular uma foto para evitar algum constrangimento ao leitor ou se essa manipulação era necessária para evitar problemas não dar a matéria um ar de sensacionalismo…

a ultima polêmica foi em torno de uma foto divulgada do atentado a bomba na Espanha, onde um pedaço de um dos passageiros do trem foi removida digitalmente para amenizar ( ou evitar classificações de sensacionalismo) a violência da foto.
Poderiam ter simplesmente feito um recorte na fotografia, mas manipular digitalmente nesse caso é apresentar uma situação irreal... Sinceramente, a meu ver era melhor não ter publicado tal foto neste caso.

Pessoal

A manipulação existe praticamente desde os primórdios da fotografia.
Ainda no século XIV, Oscar Rejlander um fotógrafo da Suécia fazia manipulações dificílimas utilizando montagens entre fotografias e pinturas.
No século XX os fotógrafos abusavam de manipulações nos laboratórios PB, e em composições que não se lembra daquela fotografia de 3 soldados americanos erguendo um mastro caído na Segunda Guerra ? Aquela foto foi manipulação também (embora de outro sentido, não de imagem e sim de composição).
Portanto a manipulação é algo já antigo, e que persistirá.
Não sou contra ela, desde que não seja utilizada para o mal, como mudar algo numa foto para incriminar alguém.
O líder soviético Josef Stálin mandava apagar pessoas que caiam em desgraça com ele nas fotografias oficiais.
E por ai vai…

Abraços

Achei esse tema muito interessante, por isso resolvi dar esse up nele.
Sou à favor da manipulação digital, desde que não “minta”. Trabalho com Modelos e faço o que a maquiagem faria, ou até tiro uma espinha que daqui à pouco ela não vai ter mais.Porém , diminuir nariz, aumentar peito e bumbum, e tudo mais, já acho anti-ético para um fotógrafo, apesar de não sê-lo.Mesmo porque não posso mentir para o meu cliente que escolhe a Modelo pela foto.Agora , e quando a foto é particularmente particular, ou seja, te procuram pra fazer um book, ou melhor um algum para a família guardar e a pessoa, já no caso , não é Modelo, lhe pede para fazer uma “plástica” nela?
Você faria? E depois, como é que fica a credibilidade de suas fotos?..Não concordo com esse tipo de atitude(plásticas digitais) da Playboy.Como já vi em algum tópico aqui:“mexer na Juliana Paes é uma coisa, agora deixar a Hortência gostosa, é subjulgar a inteligência do cidadão”. ao ponto de fazer essa barbárie retratada neste link
http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/ooops/ult340u1079.shtml .

Nossa, que desenterrada :mf_w00t2:

Eu sou a favor da manipulação, acho que todo mundo aqui sabe disso aqui :stuck_out_tongue_winking_eye:

PhotoShop é coisa do demo !
Minha religião não permite…
:risada1:

Não sou contra, como vimos acima, mas admiro muito quem consegue fazer a Arte sem o photoshop.Cara tem que ser bom meessssmo.
Quanto ao desenterro, realmente, acho que fui fundo… :laughing:

PhotoShop é coisa do demo ! Minha religião não permite... :risada1:
:risada2: :risada2: :risada2: :risada2:

Parafrazeando alguém aqui do fórum, o PS dá aquele “tempero” a mais nas fotos… Acho que é válido pra quase todos daqui… Acho que raramente alguém dá por finalizada uma imagem, sem antes dar pelo menos um tapinha no PS…

Acho que não há um limite estabelecido para até onde vai o uso. Isso depende do que se almeja como resultado final da imagem…

Eu concordo com a manipulação digital para melhorar aquilo que não conseguimos transmitir na foto original. Eu costumo tirar espinhas, amenizar rugas, saturar um pouco, corrigir brilho, contraste e nitidez. Uma coisa que não gosto de fazer é retirar, por exemplo, uma pinta da pessoa. Este detalhe faz parte da fisionomia dela.
Em publicidade é necessária. Se não for feita uma boa manipulação não vende.
O PS e outros softwares estão aí. O melhor que podemos fazer é um bom uso deles. A ARTE agradece.

Eu concordo com a manipulação digital para melhorar aquilo que não conseguimos transmitir na foto original. Eu costumo tirar espinhas, amenizar rugas, saturar um pouco, corrigir brilho, contraste e nitidez. Uma coisa que não gosto de fazer é retirar, por exemplo, uma pinta da pessoa. Este detalhe faz parte da fisionomia dela. Em publicidade é necessária. Se não for feita uma boa manipulação não vende. O PS e outros softwares estão aí. O melhor que podemos fazer é um bom uso deles. A ARTE agradece.
Concordo plenamente.
Eu era um pouco "purista" com relação a isso, mas hoje estou deixando o lado xiita da anti-edição e partindo pro lado que poderia se chamar "ético" dela. Em outros termos, hoje sou a favor da edição desde que se mantenha as características originais da foto, tratando apenas intensidade de cores, normalização de sombras, sharp, contraste e ruído. Conversões em sépia, p&b tb estão incluídas, ainda que no processo analógico isso seja completamente diferente. Não gosto de ver uma foto onde o tratamento foi tão pesado que a mesma ficou "plástica". Poderia citar um exemplo, mas vou me abster de inimizades :) Com esse lado puxado pro neo-purista, acabei por me convencer que a composição na camera deve ser o mais próximo possível do que eu mesmo consideraria a foto perfeita. Logíco que a perfeição não existe, mas quando penso dessa forma na hora de clicar, acabo por ter fotos mais reais e bonitas, que podem até sofrer ajustes, mas com certeza nunca serão plasticas.

Tudo isso, vale lembrar, é o meu gosto e a minha exclusiva opinião.


Concordo 100% com as suas palavras, mesma opinião! :smiley: