Sigma DP-1

Compacta, porém modesta
Usando um sensor de imagem inovador, a Sigma DP-1 tira fotos tão boas quanto as caras e pesadas câmeras profissionais, mas peca pela falta de recursos básicos
David Pogue / New York Times

Todos os fabricantes de equipamentos fotográficos querem uma fatia maior do mercado de US$42 bilhões da fotografia digital. O que fazem, então? Eles exageram nos recursos desnecessários do produto visando aprimorar seu apelo comercial. Detector de sorriso, redutor de olhos vermelhos e blá, blá, blá.

Entretanto, não seria tão complicado assim causar uma verdadeira revolução neste segmento. Bastaria alguém enfiar um sensor gigante dentro de uma câmera compacta e deixar a euforia começar.

Veja bem: a indústria gostaria de nos fazer acreditar que a quantidade de megapixels é a medida mais importante de uma câmera, mas isto não é verdade. Qualidade das lentes e processamento interno da imagem são alguns dentre os muitos outros fatores mais importantes.

Porém, o melhor prognóstico geral em relação à qualidade de imagem de uma câmera é o tamanho de seu sensor interno. Sensores grandes absorvem mais luz, então você consegue cores melhores e mais nitidez em imagens com pouca luz. Sensores pequenos acumulam uma quantidade muito grande de pixels, que absorvem a luz, em um pequeno espaço, com isso há um acumulo de calor, gerando “ruído” digital (como pontos e manchas aleatórias) em suas fotos.

Por isso, sempre houve uma regra inviolável por todos estes anos: Quem quisesse um sensor grande, teria de adquirir uma câmera grande – um daqueles modelos pretos, enormes e pesados, com lentes SLR (Single Lens Reflex). Caso quisesse uma câmera compacta, bonitinha, ficaria preso a um sensor também compacto e bonitinho, geralmente com um décimo do tamanho de uma SLR.

É claro que o que todo o mundo está esperando é por uma câmera compacta com um sensor gigante. Mas, existem inúmeras razões pelas quais ninguém ainda a criou. Primeiramente, ela seria muito mais cara do que as câmeras compactas comuns, que cabem no bolso da camisa.

Em segundo lugar, o fabricante de tal câmera teria de começar a elogiar o tamanho do sensor como uma medida crítica – mesmo contradizendo a importância dos megapixels, que vem sendo pregada por todos esses anos. A terceira razão seria que os grandes fabricantes provavelmente pensariam duas vezes antes de vender uma câmera compacta com capacidade de tirar fotos similares a uma SLR. Como isso afetaria as vendas das SLRs?

Por último, tem a física. Não se pode iluminar a superfície inteira de um sensor do tamanho de uma bolacha com uma lente minúscula, posicionada a apenas meia polegada de distância.

De qualquer maneira, provavelmente você já pode imaginar onde quero chegar com esta história: alguém finalmente fez esta câmera. A Sigma, conceituada fabricante de lentes que só recentemente começou a produzir câmeras, colocou no mercado a DP1: a primeira câmera compacta do mundo com um sensor interno de tamanho similar ao que equipa as SLRs.

É o chamado sensor APS-C, do mesmo tamanho daquele que presente em câmeras profissionais como a Canon 40D e a Nikon D300. Ele tem cerca de uma polegada (2.5 cm) de diagonal. Curiosamente, ninguém nunca falou sobre tamanhos de sensores de maneira tão simples e lógica, mas deveriam – os fabricantes de SLRs o fazem em milímetros, fabricantes de câmeras compactas usam proporções bizarras, como 1/1.8 polegadas.

Sendo assim, era de se esperar que a DP1 tirasse fotos incríveis – e tira mesmo. A câmera preta de aspecto sólido cabe no bolso do seu casaco (mas não em bolsos de camisas e calças), e ainda assim tira fotos cuja fidelidade de cores, claridade, detalhes e ausência de “ruído” competem com as câmeras digitais SLR básicas (veja exemplos nos site do fabricante). A DP1 também oferece aquele efeito profissional no qual o sujeito da foto está bem focado, mas o segundo plano fica levemente embaçado – algo que a maioria das câmeras de bolso não consegue fazer.

A Sigma provavelmente citaria que usa o renomado sensor Foveon como razão para seu sucesso fotográfico. Cada pixel deste sensor é composto por três camadas e absorve ao mesmo tempo as três cores primárias: vermelho, azul e verde. Câmeras digitais comuns usam sensores individuais para cada cor, posicionados lado a lado em uma única camada.

Os fanáticos por fotografia defendem, incessantemente, as virtudes deste arranjo. Mas uma coisa é certa: na verdade, ele torna o cálculo de megapixels desta câmera bastante obscuro. A Sigma, que conta cada pixel como três (vermelho/verde/azul), chega aos 14.1 megapixels; se contarmos cada “pixel empilhado” como um, o resultado será de 4.6 megapixels.

E eu pergunto mais uma vez: e daí? A questão é que estas fotos têm resolução suficiente para permitir enormes impressões sem granulação, ou o uso livre do recurso “crop” (recorte) em um segundo plano indesejado. De qualquer maneira, talvez você queira fazer uma pequena pausa aqui para apreciar a felicidade da conquista da Sigma, pois, o que se segue é uma sequência de desapontamentos esmagadores.

Primeiramente, como já temíamos, a câmera é caríssima: cerca de US$770 na internet. É possível comprar uma ótima câmera SLR pelo mesmo preço. Mas, espere um pouco – esta cabe no bolso, não é mesmo?

A segunda coisa é que, graças àqueles sérios desafios ópticos, a nova câmera não tem zoom. Nenhum. Se quiser se aproximar do objeto, terá de se levantar e caminhar até ele. A lente realmente se desloca para fora, como um telescópio, quando a câmera é ligada; mas isto não é zoom; é simplesmente para distanciar a lente do sensor.

A falta de zoom é provavelmente um fator que desmotiva muita gente a adquirir a câmera, mas não todo mundo. Sua lente de 16.8 mm f/4 proporciona uma grande angular maravilhosa, ideal para fotos de paisagens, panorâmicas de cidades, fotos no interior de imóveis e assim por diante. Infelizmente, não posso dizer o mesmo sobre close-ups. O mais próximo que se pode aproximar do sujeito e ainda manter o foco é cerca de 30 centímetros.

A câmera também é lenta. Lenta para ser ligada, lenta para focar. Fotos em movimento? Pode esquecer. Mesmo o tempo entre as fotos é lento; são cerca de dois segundos para gravar cada foto em formato JPEG e sete intermináveis segundos para cada foto em formato RAW. Este é um formato mais flexível e rico em dados, sendo preferido por profissionais. Infelizmente, programas populares como o Photoshop não lêem os arquivos da Sigma em formato RAW; é necessário usar o software para edição que vem incluído.

É estranho, mas a câmera não tem visor ótico. Isto é um problema de verdade, pois a tela de 2.5 polegadas fica bem desbotada sob a luz do sol. É claro que a Sigma ficará contente em lhe vender um visor externo que pode ser acoplado à câmera - por US$140 você terá um minúsculo túnel de vidro através do qual poderá enquadrar suas fotos.

Infelizmente, ele se acopla à sapata, localizada no topo do corpo da câmera, diminuindo sua portabilidade e impedindo que um flash externo seja usado. Tudo parece um tanto quanto absurdo e desnecessário. A tela também tem outros problemas. Em baixa incidência de luz, muda para preto e branco. As fotos saem coloridas, mas a tela fica monocromática. Como assim?

A DP1 tem controle manual total – abertura e velocidade do obturador, anel de foco manual dedicado, e assim por diante – mas não tem modos de cena. Ela grava filmes, mas são pequenos; podem preencher apenas um quarto da tela de sua TV (320 x 240, bem menos que outras câmeras de bolso). Parece que a Sigma fica dizendo o tempo todo: “Está não é uma câmera para o consumidor comum – é uma câmera profissional que, por acaso, é compacta”.

Mas, mesmo os profissionais do ramo iriam se beneficiar de um estabilizador de imagem, e a DP1 não vem com este recurso. Hoje em dia, qualquer câmera tem estabilizador – um recurso anti-tremor essencial quando o obturador tem de ficar aberto por mais tempo, como quando a foto é tirada com pouca incidência de luz.

Isso é realmente uma pena, pois mantendo a DP1 suficientemente firme é possível tirar fotos noturnas incríveis, sem ruídos. Que lástima! Não tem lâmpada auxiliar de auto-foco - então o foco se torna lento. Mas, sem o uso de um tripé, você tira uma foto tremida atrás da outra.

Por ultimo, tem o protetor da lente. Não é frescura, por favor, mas, além dele não ser acoplado à câmera, não tem nem mesmo uma cordinha para prendê-lo. E o protetor só pode ser encaixado sobre a lente em uma única posição: com o logo virado para cima. Você vai perder essa coisa em uma semana, garanto.

Então, aplausos para a Sigma. Eles fizeram o que era considerado impossível: colocar um sensor gigante dentro de uma câmera minúscula. Mas, tinha de ser uma câmera tão capenga? Sem zoom, sem estabilizador, sem lente auxiliar de foco, sem visor ótico, sem exibição de histograma ao vivo… e ainda flash fraco, tela desbotada, filmes minúsculos, atraso do obturador infinito, protetor de lente solto. “Sigma, câmbio – 1998 chamando. Queremos a câmera de volta”.

Não estou querendo tirar o mérito do espantoso avanço técnico da Sigma. Porém, é uma chamada para que a empresa se apresse com o lançamento da DP2 – ou para que a concorrência aprenda com o que a Sigma deixou de fazer.

Fonte: Tecnologia - Notícias, Análises, Dicas e Especiais - iG

http://www.sigma-dp1.com/sample-photo/

gostei desta: http://www.sigma-dp1.com/sample-photo/img/SigmaDP1-028.jpg

Se foi tirada com a sigma, a foto esta muito boa