Minhas astrofotos

Oi Felipe, a do véu está fantástica !
Mas qual filtro você usou a ponto de cortar as cores ? Não deveria acontecer.

Saudade de fazer umas fotos do céu, né, meu filho?.. Ontem teve a Galáxia Andrômeda (Messier 31), junto com as inseparáveis (em tempos astronômicos) Messier 32, Messier 110 e NGC 206, que mal é visível no alto à direita. 44 minutos a ISO 1600, processada com RawTherapee, DeepSkyStacker e GIMP.

Andromeda by Felipe Mendes, no Flickr

Usei um UHC que comprei barato na Amazon. Concordo que não deveria acontecer, mas aconteceu… :no:

Mas como o contraste que este filtro produz é excelente, vou usar pras camadas de luminosidade das minhas próximas astrofotos. Essa Andromeda aí de cima, por exemplo, vai ficar muito melhor!

Só para citar minha percepção: tinha visto as fotos do início do tópico e, passando agora 3 páginas depois, é notável sua evolução.

Linda essa galáxia!
O processamento, cores, ausência de ruídos e enquadramento ficaram perfeitos, na minha percepção.
No Flickr notei uma luz violeta adentrando no canto esquerdo da imagem… seria a borda de outra galáxia ou nebulosa?
No geral, para efeitos de apreciação, um crop que preencha quase todo o quadro, como no caso da foto, fica infinitamente mais atraente do que nos posts anteriores onde as galaxias ou nebulosas aparecem pequenas no meio do quadro…
Acredito que se o objetivo é divulgar seu trabalho, principalmente para leigos, essa perspectiva com maior crop atrairá mais admiradores, no sentido educativo mesmo, estimulando o conhecimento, admiraçao e respeito por esse universo grandioso no qual estamos inseridos…

Muito obrigado pelos comentários! Mas ainda tenho muito (mesmo) a aprender.

Quanto aos comentários do Angelone…

  1. Ainda falta. Esta foto pode melhorar muito com mais exposição (este tipo de foto pode ser feito em várias sessões diferentes) e uso de filtros (pra ressaltar detalhes, cores específicas ou até espectro infravermelho/ultravioleta, se eu tivesse uma câmera com estas características). No caso, vou ver se faço mais um pouco da mesma foto com o filtro UHC que mencionei acima, que mata a cor mas provém enorme contraste.
  2. Sim, ficou com uma mancha no lado esquerdo. Não sei porque aqui não ficou, pois a imagem linkada aqui é de lá… :ponder: Quando se faz este tipo de foto, a gente tira algumas imagens pra amostra de viés do conversor analógico/digital da câmera, pra corrigir durante o empilhamento. O problema é que o software que estou usando tá com um bug, que não está aceitando estas imagens. Em uma versão sem este bug, vai ficar melhor.
  3. Esta galáxia aparece bem grande no céu. Em locais muito escuros, dá pra ver a olho nu. É um objeto celeste maior que a Lua! O que vc vê aqui é o quadro completo, em 420mm com câmera APS-C. Porém alguns objetos são tão pequenos, mesmo com meus telescópios (meu maior é 800mm f/4) fica um negócio pequenininho no céu. Não sei se uma imagem bem enquadrada, mas sem definição vai ser tão mais legal. Mas vou experimentar um pouco.

UAUUUU FINALMENTEEEE !
FIcou excelente !!!

Felipe, eu não sei se a galera realmente tem noção de que esse tipo de imagem da M31 ate uns 20 anos atras só era possível com telescopios de imensas aberturas, filme fotografico com exposicoes longuissimas e acompanhamento ultra-preciso, ou entao com dispositivos ccd que custavam mais do que um carro.

O digital facilitou muito a vida do amador, principalmente o processamento raw e o stacking profissional

Até hoje me causa profundo espanto e admiração que a maioria dos catálogos de astronomia tenha sido criado lá pelo século 18.

Ah, e obrigado! Ainda vai melhorar. Só essas tempestades daqui (duas de uma vez) semana que vem vão atrapalhar.

A nebulosa Dumbell Ou nebulosa do Sino), também conhecida como Messier 27, descoberta em 1764 por Charles Messier, é mais uma reminiscência de uma supernova (explosão de estrela primária) a cerca de 1200 anos-luz da Terra. A estrela original explodiu a no máximo 14.5 mil anos atrás; ou seja, humanos devem ter visto esta explosão no céu. A matéria concentrada no centro desta nebulosa nos parece hoje como uma anã branca com tamanho de 5% do tamanho do nosso Sol.

Ah, a diferença que faz um céu escuro!..
Um crop a 100% da Dumbell, despretensiosa a 24 minutos em ISO 3200:

A imagem completa. Compare a quantidade de estrelas do céu escuro com as fotos anteriores, feitas do quintal de casa. Vale a pena clicar na imagem pra ver em 100%:

Feito com o Sequator. Usei a helios 44M-4 ISO 1600, f2, t 1s.

Nunca tive essa noção de tamanho da Andrômeda, muito legal!

Vou procurar ela no céu quando estiver em um lugar bem escuro :smiley:

Tem um probleminha só: Ela está no hemisfério Norte! Nas regiões Norte/Nordeste/Centro-Oeste, ela fica visível, mas um tanto baixa no céu.

Cassiopéia (mãe de Andrômeda) aponta pra ela, ainda hoje chamando atenção das Nereidas que sua filha (Andrômeda) é mais bela que elas.

A Nebulosa do Véu (Veil Nebula) são as reminiscências de uma supernova (explosão de estrela) ocorrida entre 10 mil e 20 mil anos atrás, a cerca de 2500 anos-luz de nós. A supernova deve ter sido mais brilhante que Vênus (a Estrela d’Alva), e aparecia no céu mesmo de dia.

O que vemos aqui é principalmente o Véu Oeste, que hoje se sobrepõe à estrela 52-Cygni, na constelação de Cygnus, o Cisne.

Ela foi descoberta em 1784, mas não faço ideia de como, uma vez que ela mal é visível mesmo com equipamentos atuais “normais”, como mostra esta foto de exposição equivalente a 52 minutos em ISO 1600 com minha câmera comum. Ela fica mais visível usando uma câmera de espectro completo com filtros H-alfa e O-III (Hidrogênio-alfa, vermelho e Oxigênio III, azul), que não existiam em 1784.

Como sempre, clicando na imagem, é possível vê-la em tamanho maior.

É uma pena que neste dia começou uma neblina, impossibilitando uma exposição mais longa.

Já pensou em tirar o filtro do sensor da sua cam pra fazer esse tipo de foto? Aliás, já teve experiência com uma? A melhora é relevante?

Ou então comprar uma antiga pra isso. Acho que esse vai ser o destino da minha XE2 quando eu pegar uma XE4!

:clap: :clap: :clap:

Ainda não usei uma dessas, mas faz diferença, sim. Esta modificação aumenta a sensibilidade à cor do H-alfa. O problema é que também precisa usar um filtro IR pra aumentar o contraste. Há outras modificações que substituem o filtro original por um com sensibilidade ao H-alfa, mas já com corte no IR. As câmeras da Canon e Nikon originais pra astrofoto usam este tipo de filtro. Usá-las pra foto comum gera uma foto avermelhada.

Quanto a modificar a X-E2… Eu tentei, mas é difícil pra caramba. Essa câmera não é feita pra ser desmontada, o filtro a ser removido fica dentro de uma caixinha selada, que contém o filtro de poeira também. Eu desmontei, removi o filtro, mas nem consegui montar de novo. Era uma câmera que já estava com o EVF quebrado.

Felipe,

Se você não pretende fazer fotografia em IR, não recomendo a retirada do filtro, pois não há melhora na parte visível do espectro e não faz sentido algum fazer astrofotografia no IR proximo. Basta lembrar que todos os observatórios que fazem isso, estão em altitudes acima de 3000m e usam câmeras refrigeradas a Helio líquido (as mais “vagabundas” a nitrogênio) …

O que você fez está corretíssimo, filtro para as raias do H que são as predominantes, mas eu incluiria algumas exposições na banda do oxigênio, e depois trataria esses dois canais separadamente antes do “blend”.

Antes que eu me esqueça: pqp… a nebulosa do véu é punk de fotografar, é muito difusa ! Parabéns !

Eu tenho aqui um filtro (caríssimo) duo narrowband da STC. Em tese, seria exatamente o que vc está dizendo, mas com H-alfa e O-iii ao mesmo tempo. Porém tive problemas com o filtro: a moldura original pra colocar sobre o sensor não encaixa, daí tive que projetar e fazer uma moldura, me baseando em engenharia reversa da geometria da Fuji. Já consegui uma moldura que funciona, porém ainda estou tendo problemas pra garantir o paralelismo entre o filtro e o sensor. Agora estou projetando outra moldura usando plástico flexível, que vai me permitir prender o filtro com alguma interferência, e vai ficar firme no lugar.

Aproveitei a Black Friday pra comprar um da Optolong L-eNHance que tem a banda um pouco mais larga na região do O-iii (pega o H-beta também) que o STC:


Além de ser mais largo, este filtro é 2" comum, que posso colocar direto no adaptador do telescópio.

Exatamente isso. O pessoal mais avançado coloca filtros pra vermelho, azul e verde, faz exposições em cada cor, depois trata separadamente e empilha. Mas não tenho esse tempo todo pra gastar nisso, não!